Quando foi escolhido para integrar o time de Lulu Santos, na sexta temporada do extinto The Voice (2012-2023), Jota.Pê ouviu do cantor, que foi seu técnico na atração: “Me orgulha muito ver uma pessoa que não usa a voz como uma arma e sim como um elemento de sedução”. Ele não venceu o reality musical, mas ali deu um passo importante na carreira, que, anos mais tarde o levou ao Grammy Latino.
“Tudo mudou”, resumiu o paulista, em entrevista, ao falar sobre as estatuetas que ganhou em novembro. Ele foi premiado em três categorias: Melhor Canção em Língua Portuguesa – Prêmio aos Compositores por “Ouro Marrom”; Melhor Álbum de Música Popular Brasileira/Música Afro Portuguesa Brasileira e; Melhor Engenharia de Som por “Se o Meu Peito Fosse o Mundo”.
O cantor e compositor contou que “Ouro Marrom” nasceu de uma situação de racismo vivida por outra pessoa. “Não foi diretamente comigo, mas me deixou com muita raiva, inclusive, a canção estava indo para um caminho completamente diferente, raiva é uma coisa que nos consome. Então parei um pouco de compor e fui tomar água”, recordou.
Foi nessa pausa, que ele se deparou com a mensagem de uma amiga negra enaltecendo a maternidade. “Apaguei 90% da música e lembrei do óbvio: ser negro não é sobre dores, mazelas e racismo, mas sobre milhares de outras coisas. A partir daí conduzi a música de outra forma”.
Acho que o mais importante é isso que estou dizendo: quando falamos de homofobia e racismo estamos falando de vida e morte, então, que tenhamos responsabilidade para falar. Quando isso acontece as músicas duram e ficam para sempre”.

Fonte: GSHOW
