Nem tudo começou em Stonewall. O movimento LGBTQIA+ brasileiro tem raízes potentes, heróis invisibilizados e um passado que é pura resistência.

No Brasil, o 28 de junho — Dia do Orgulho LGBTQIA+ — é celebrado com cores, manifestações e discursos. Mas por trás dos glitter e bandeiras, há uma história nacional profunda, silenciada por décadas, que não nasceu com Stonewall e muito menos se limita a um único marco.

De encontros sabotados pela polícia nos anos 50, passando pelo histórico Grupo Somos, as denúncias do Lampião da Esquina, o levante lésbico no Ferro’s Bar e a luta de travestis no Congresso em 2004 — a trajetória LGBTQIA+ brasileira é feita de múltiplos orgulhos, de coragem e de memória viva.

Antes de Stonewall, já existia resistência aqui

Sim, o levante em Nova York em 1969 é simbólico, mas como lembra o professor Renan Quinalha, não pode ser o único referencial:

“Nem tudo começou em Stonewall e nem tudo se resolveu lá.”

Pesquisadores e ativistas alertam: o Brasil tem seus próprios marcos de luta e precisamos valorizá-los com o mesmo peso.
Exemplos? O Dia de Prazer e Luta Homossexual, realizado em 1980 no Teatro Municipal de São Paulo, ou os encontros clandestinos de grupos LGBTQIA+ nas décadas de 50 e 60, reprimidos com prisões e fichamentos.

A história da luta trans também é parte do orgulho

Em 2004, o lançamento da campanha “Travesti e Respeito” no Congresso Nacional foi um marco para a visibilidade trans no Brasil — e deu origem ao Dia da Visibilidade Trans, celebrado todo 29 de janeiro.

Mas mesmo com avanços, os dados são duros: em 2023, 62% das mortes violentas da comunidade LGBTQIA+ no Brasil foram de pessoas trans ou travestis.

Keila Simpson, ativista histórica e ex-presidenta da ANTRA, lembra:

“É preciso marcar datas, mas também lembrar que a luta é diária. E que respeito não pode ser negociado.”

As primeiras paradas e a construção do orgulho público

Muito antes das multidões que vemos hoje, as primeiras tentativas de organizar marchas no Brasil eram tímidas, reprimidas e frágeis. Foi só a partir dos anos 90 que eventos como a Parada do Orgulho LGBT do Rio de Janeiro (1995) começaram a ganhar força — puxados por figuras como Cláudio Nascimento e o grupo Arco-Íris.

Hoje, a Parada de São Paulo é uma das maiores do mundo, mas como lembra o próprio Cláudio:

“Nossa luta é coletiva. Nunca será individual.”

Novos tempos, novas ameaças

Em um Brasil onde o fundamentalismo religioso e o conservadorismo crescem, os direitos conquistados seguem sob ataque.
A luta LGBTQIA+ nunca foi uma linha reta. Ela é feita de avanços e recuos. De perdas e reinvenções.

E em tempos onde até os valores democráticos estão em risco, como lembra a historiadora Rita Colaço, relembrar o passado é uma forma de proteger o futuro.


Gente de Expressão comenta:

O orgulho que celebramos hoje é resultado de muitas vozes, silenciadas por muito tempo, mas que nunca pararam de ecoar.
Ele não começou em Stonewall. Ele começou em bares, becos, favelas, palcos, arquivos, corpos e boletins.
E continua todos os dias, nas escolas, nas urnas, na arte, na rua e na memória.


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