Ator comenta as mudanças em seu personagem, o impacto de Game of Thrones em sua carreira e como isso o levou à maior série sci-fi da atualidade, Fundação, da Apple TV+.
“Quem é você para dizer o que eles devem fazer?”
A frase pode parecer despretensiosa, mas dita por Pilou Asbæk, o Euron Greyjoy de Game of Thrones, ela carrega uma crítica sutil à forma como os showrunners Dan Weiss e David Benioff adaptaram o material de George R.R. Martin. Em entrevista ao IGN Brasil, o ator dinamarquês falou sobre sua experiência como o vilão sedento por poder da série da HBO — e as diferenças entre o que vimos nas telas e o que estava nas páginas.
Entre o tapa-olho e o trono: o que mudou em Euron Greyjoy
Nos livros, Euron é uma figura praticamente mítica: lábios tingidos por poções, um tapa-olho misterioso e um chifre mágico capaz de controlar dragões — sim, isso tudo. Na série, porém, o personagem foi muito mais pé no chão, ganhando contornos mais políticos e menos místicos.
“Eu li os livros e ele [Euron] poderia ter sido muito diferente se, vamos ser honestos, fossemos mais próximos da descrição dele nos livros — os lábios azuis, o tapa-olho, o chifre que controla dragões, algo muito mais magia. Mas não foi o que Dan [B. Weiss] e David [Benioff] estavam interessados em Game of Thrones, eles estavam interessados em algo diferente. No fim do dia, quem é você para dizer o que eles devem fazer, você é só um contratado.”
Apesar do tom resignado, o ator reconhece que a adaptação seguiu outro rumo criativo — algo comum em grandes adaptações. Mas isso não apaga o impacto que Game of Thrones teve na sua carreira.
De Westeros ao cosmos: o salto para Fundação
Após seu trabalho em GoT, Pilou foi chamado para viver O Mulo, vilão da 3ª temporada de Fundação, uma das maiores produções sci-fi da atualidade, baseada na obra de Isaac Asimov. Segundo ele, o convite veio justamente pela performance em Westeros:
“Eu fico grato em ter feito parte de Game of Thrones, ainda mais pelo fato que o David me viu na série e me chamou para fazer parte da maior série sci-fi do mundo. Eu teria sido um idiota se não tivesse dito sim.”
E sobre as semelhanças entre os dois personagens, o ator não escondeu que hesitou:
“David [Goyer] viu Game of Thrones e ele disse ‘é isso que eu quero. Eu quero a imprevisibilidade, quero a loucura’ e eu falei ‘Sim, mas eu já fiz tantos vilões, você tem certeza que não quer ver algo diferente?’ e ele falou ‘Não, eu preciso disso, porque serve para o papel, serve para O Mulo, na terceira temporada’. E eu falei ‘ok, vamos lá’.”
A busca por complexidade (e menos estereótipos)
Pilou deixa claro que não quer ser rotulado como “o cara dos vilões”. Ainda que Euron Greyjoy e O Mulo compartilhem traços de instabilidade e ambição, ele busca camadas mais humanas em suas interpretações. Algo que, segundo ele, estará mais presente nesta nova fase de Fundação:
“Ao longo da temporada isso vai tendo mais nuances e vai ficando mais evidente o porquê ele é do jeito que é. E é por isso que eu disse sim. Como ator você nunca quer ficar repetindo vilões para o resto da sua vida. É chato. Não é o motivo que eu me tornei ator.”
Gente de Expressão comenta:
Pilou Asbæk tem razão ao levantar a discussão sobre adaptação e fidelidade. Game of Thrones mudou (muito) personagens dos livros — e com Euron Greyjoy isso ficou ainda mais evidente. Mas isso não apagou a presença magnética do ator, que agora, com Fundação, tem a chance de mostrar toda a complexidade que os fãs sempre quiseram ver.
Se ele será lembrado como o Euron dos livros ou o Mulo das telas, só o tempo dirá. Mas uma coisa é certa: ninguém interpreta o caos com tanto charme quanto Pilou.
📺 A 3ª temporada de Fundação estreia em 11 de julho na Apple TV+.
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