A nova tarifa de 50% nas exportações brasileiras para os EUA ameaça não só setores tradicionais, mas também os jogos digitais, físicos e até os livros de RPG — e o reflexo pode pesar no seu bolso (e no do desenvolvedor indie).
O presidente Donald Trump anunciou, e o mercado reagiu. A nova tarifa de 50% sobre toda exportação do Brasil para os EUA, com início em 1º de agosto, acendeu um alerta vermelho não só para setores como combustíveis, alimentos e aeronáutica — mas também para a indústria de games brasileira. Do digital ao físico, da Steam aos RPGs de mesa, os efeitos da medida já estão em curso.
Enquanto o público ainda tenta entender o que uma guerra comercial tem a ver com aquele seu joguinho indie favorito, desenvolvedores, editoras e plataformas já estão calculando perdas e freando planos de expansão. E o impacto, como quase sempre, é maior para quem já enfrenta barreiras gigantes para criar no Brasil.
Exportar jogos brasileiros pode ficar (ainda mais) difícil
Segundo a advogada e especialista em direito digital Alexandre Atheniense, a decisão de Trump tem viés político e punitivo, e pode atingir lojas como Google Play, App Store e plataformas como Nuuvem — tudo vai depender da aplicação específica da legislação tributária americana.
Em entrevista ao IGN Brasil, a coordenadora de publishing da Nuuvem, Mariana Amaro, explicou que os jogos digitais exportados hoje já enfrentam tributações como ISS, PIS, Cofins e IOF. E com a nova tarifa, o cenário pode se tornar ainda mais desafiador. “A definição de preço leva em conta o mercado-alvo, categoria do jogo, concorrência, e retorno sobre o investimento. Com tarifas como essa, o controle sobre a margem de lucro fica ainda mais apertado”, afirmou.
Além disso, desenvolvedores brasileiros já precisam lidar com a taxa padrão de 30% ao emitir declarações de tributação para os EUA, o que torna o processo de internacionalização um verdadeiro campo minado burocrático.
E os jogos físicos? A pancada pode ser ainda maior
A situação é ainda mais delicada no caso dos jogos de tabuleiro e livros de RPG, setores que vinham crescendo com força no Brasil. De acordo com Felipe Della Corte, diretor de desenvolvimento da CapyCat Games, a maior parte da produção desses jogos ocorre na China, que já sofre com tarifas de até 150% de importação para os EUA.
Mesmo que a exportação vá diretamente do Brasil, a negociação em dólar continua afetada, já que a oscilação cambial e a demanda global tornam tudo mais volátil. “A China agora só aceita pagamento 100% adiantado. Tá cheio de jogo encalhado lá fora”, disse Della ao IGN Brasil.
Para um jogo de tabuleiro vendido por US$ 50, o preço final pode ultrapassar R$ 500 no Brasil, por conta de tributações de até 60%. E com a nova barreira tarifária, empresas que estavam expandindo para o exterior — como a CapyCat, que planejava levar seus títulos para a Gencon — estão pausando projetos e repensando tudo.
O livro salva o jogo?
Curiosamente, uma das poucas brechas possíveis no momento parece estar nos livros de RPG. Como a produção editorial brasileira ainda conta com subsídios e incentivos, há a possibilidade de usar o ISBN como registro formal de exportação, o que pode facilitar a circulação no mercado internacional — pelo menos por enquanto.
Mesmo assim, o cenário é de incerteza e cautela, principalmente porque boa parte das negociações ainda passa pelos EUA como intermediário, seja em pagamentos, marketing ou distribuição.
Gente de Expressão comenta
Se você achava que economia global não tinha nada a ver com o preço do seu jogo favorito, está na hora de repensar. Tarifas como essas afetam toda a cadeia de produção, publicação e acesso ao entretenimento. E o impacto pode ser maior do que imaginamos, especialmente em um país onde produzir e exportar games já é um desafio diário.
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Créditos: base da matéria com informações da cobertura do IGN Brasil.
