Com produção de alto nível e elogios da crítica, o game de furtividade teve menos de 500 jogadores simultâneos no lançamento. Onde foi que tudo deu errado?
Você desenvolve um jogo por anos, capricha no visual, entrega uma ambientação rica e mecânicas que remetem a clássicos como Red Dead Redemption 2 e Death Stranding. O resultado? 94% de avaliações positivas no Steam.
Mas no dia do lançamento… o jogo simplesmente passa despercebido.
É esse o cenário doloroso que envolve Eriksholm: The Stolen Dream, da desenvolvedora River End. Lançado em 15 de julho, o jogo prometia ser uma joia rara no gênero furtivo. No entanto, sua estreia foi um verdadeiro silêncio digital — um fracasso retumbante em termos de visibilidade e vendas.
Em números práticos: o pico de jogadores simultâneos na Steam, segundo o SteamDB, não passou de 500 durante a semana de lançamento. Para um game com visuais cinematográficos e proposta imersiva, isso é um desempenho desastroso — especialmente se comparado a títulos semelhantes:
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Shadow Gambit alcançou 3.930 jogadores simultâneos
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Commandos Origins chegou a 2.296
E ambos foram considerados fracassos comerciais. Agora imagine Eriksholm, com números três vezes menores.
Mas do que se trata esse jogo?
Eriksholm: The Stolen Dream é um título de stealth ambientado em um mundo alternativo com traços nórdicos, no qual o jogador acompanha uma história política e emocional recheada de escolhas, furtividade e exploração. A jogabilidade é centrada em planejamento tático, movimentação silenciosa e uso criativo do cenário. Tudo com um visual de cair o queixo e animações dignas de AAA.
E por que esse desastre de público?
Segundo especialistas como Alejandro Pascual (3DJuegos) e Peter Bathge (GameStar), o problema não é o jogo — é o marketing (ou a falta dele).
“Não houve campanha de divulgação, nem parceria com streamers ou plataformas como Game Pass. O lançamento foi discreto demais”, pontua Bathge.
Além disso, Eriksholm estreou com um preço salgado para muitos jogadores:
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R$ 125 no Steam
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R$ 147,45 no Xbox Series
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R$ 229,90 no PS5
Isso para um jogo que dura cerca de 12 horas e tem baixa rejogabilidade. A relação custo-benefício para o grande público não é tão atrativa, especialmente em um gênero que, embora cultuado, continua sendo nichado.
O paradoxo da produção premium em jogos de nicho
Aqui está o dilema: jogos de stealth têm uma base fiel, mas pequena. E quando um estúdio aposta em gráficos de ponta, trilhas sonoras orquestradas e cutscenes cinematográficas, os custos disparam.
“Se fosse um game 2D mais simples, ele venderia o mesmo — ou até mais — com menos risco financeiro”, comenta Pascual.
Gente de Expressão Comenta:
Eriksholm: The Stolen Dream é um daqueles jogos que mereciam mais. Visualmente impressionante, refinado em suas mecânicas e elogiado por quem jogou — mas sem grana para aparecer, sem estratégia para se destacar.
O caso escancara uma triste realidade da indústria: não basta fazer um bom jogo — é preciso ser visto. Em um mercado saturado de lançamentos semanais e dominado por grandes campanhas, jogos incríveis seguem passando despercebidos. E isso é um baita desperdício de talento e oportunidade.
A lição? O sucesso comercial de um game vai muito além da qualidade. Sem marketing, sem visibilidade e sem público-alvo bem trabalhado, nem 94% de aprovação te salvam.
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